12 de Maio- Dia Europeu do Melanoma

MELANOMA MALIGNO

SABIA QUE:

Se estima que, em Portugal, sejam diagnosticados em 2016 mais de 12 mil novos casos de cancro da pele, dos quais mais de 1000 serão melanomas malignos.

O Melanoma ou Melanoma Maligno é a forma mais grave de cancro da pele. Quando em fase avançada, pode metastizar rápida e fatalmente. Porém, com uma detecção, diagnóstico e tratamento atempados, obtêm-se elevadíssimas taxas de cura.

Se trata de tumor cada vez mais prevalente, afectando pessoas cada vez mais jovens de todos os tipos de pele, etnias ou grupos sociais.

A sua causa é múltipla, complexa e multifacetada, embora a exposição excessiva à radiação solar – particularmente os raios ultravioleta – desempenhem papel de relevo. Se bem que  possa afectar todos os tipos de pele, o Melanoma é mais frequente em peles mais claras, que bronzeiam com dificuldade e queimam facilmente; em pessoas de compleição clara, ruivas ou louras de olhos azuis ou verdes; em pessoas com múltiplos nevos (“sinais”)(mais de 50-100), em particular se são de grandes dimensões, de formas, cores e contornos heterogéneos; pessoas com história no passado de exposição a solários artificiais ou de ”escaldões”; pessoas com história na família destes tumores ou outros cancros cutâneos e, finalmente, pessoas regular ou cronicamente expostas a tratamentos imunossupressores.

Os sinais de alerta do Melanoma (“ABCDE”) são esquematizados:

A – Asymetry (assimetria, isto é, lesões que divididas ao meio dão imagens completamente diferentes entre si.

B – Border (Contorno, isto é, limites imprecisos, mal definidos, irregulares)

C – Color (Côr, isto é, variada com tonalidades diversas de castanho negro, branco ou azul)

D – Diameter (Diâmetro, isto é, sobretudo – mas não exclusivamente – quando são de dimensão superior a 4-6 mm de diâmetro

E – Evolving (Modificação, evolução, isto é, quando não são estáveis, modificam a sua côr, forma, contorno ou dimensões.

A estes sinais de alarme deve ser adicionado o “sinal do patinho feio”, em particular em pessoas com múltiplos nevos, designando a existência de um sinal que se destaca da generalidade dos restantes e é apercebido pelas pessoas como “feio”.

Os “sinais de alerta” se destinam a ser colocados em prática numa estratégia que abranja uma atitude e comportamento adequados de autoavaliação e seguimento; e que pressupõem naturalmente uma correcta informação prévia e, em caso de dúvida, o recurso sistemático ao Dermatologista.

Que diversas apps presentemente disponíveis nas novas plataformas de comunicação e imagem não devem, não podem substituir a avaliação clínica abalizada e especializada do Médico Dermatologista. Na realidade, um sem-número de nuances e particularidades visuais, analíticas, anamnésticas e biológicas – fora do âmbito e alcance destas tecnologias – são relevantes para um correcto diagnóstico, avaliação e decisão terapêutica.

Em caso de suspeita, a excisão cirúrgica com estudo histológico constituem o gold standard da prática clínica, a única capaz de garantir um diagnóstico correcto para uma cura efectiva. As dermatoscopias óptica ou digital são apenas técnicas complementares diagnósticas de alcance efectivo, quando efectuadas por Dermatologista habilitado.

A cirurgia – remoção da lesão habitualmente sob anestesia local – é curativa nas lesões iniciais ou superficiais, não complicadas de Melanoma. Nas fases mais avançadas, é complementada por diversas técnicas de alcance diagnóstico, prognóstico e terapêutico que incluem a “técnica do gânglio sentinela”, a radioterapia e novas formas e agentes de quimioterapia e imunoterapia antineoplásica.

O seguimento regular é muito importante já que existe a longo prazo o risco de desenvolver novos melanomas, bem como de outros tumores da pele. A auto-observação, aliada a um acompanhamento clínico especializado com recurso a meios complementares diversos  é/são essenciais.

Ainda mais importantes são em todos os casos a adopção de comportamentos adequados que incluam : 1. A aplicação sistemática de protectores solares de elevados índices de protecção (50 ou +); 2. O uso de vestuário protector, incluindo a cobertura máxima da superfície cutânea e o recurso a chapéus de abas largas, a óculos de sol com filtros de UV`s e a têxteis com protecção solar (UPF de 50 ou +); 3. A procura  de sombras quando ao ar livre e a evicção da exposição entre as 10 e as 16 horas; 4. O recurso a uma suplementação adequada quando justificado de Vitamina D e, finalmente, 5. A evicção absoluta de exposição em solários artificiais.

Ainda e finalmente, que deve consultar o seu Dermatologista para estabelecer o plano mais adequado e ajustado de prevenção e vigilância foto-oncológica que tenha devidamente em conta todas as variáveis de risco que a sua pele comporta.

Assim poderá viver saudável, tranquila e conscientemente, desfrutando do sol e do ar livre.

Proteja-se de forma inteligente. Consulte o seu Dermatologista.”

Dr. Rui Tavares Bello- Dermatologista Medicil